quinta-feira, 25 de junho de 2015

Análise do Discurso e Ideologia de Gênero



A Análise do Discurso é uma ferramenta fantástica para interpretarmos e compreendermos textos (inclusive imagens), além de podermos ampliar a potencialidade da nossa mente para novos caminhos a serem desbravados, estimulando a criatividade e gerando novas descobertas.

Podemos usar a Análise do Discurso para desconstruirmos (e destruirmos) textos e as ideias nele presentes. Aliás, é exatamente isso que muitos hoje em dia estão fazendo, principalmente os movimentos pautados em ideologias de desconstrução de sistemas que julgam perversos. É por isso, inclusive, que hoje em dia se vê tantos militantes de movimentos sociais e sindicais imersos em grupos de estudos sobre o tema.

Para exemplificar como a Análise do Discurso pode ser utilizada no processo de ressignificação, desconstrução e até mesmo destruição não só de textos, mas de culturas também, trago uma palestra sobre Ideologia de Gênero (Identidade de Gênero) ministrada pelo Padre José Eduardo em que não é feita uma análise do discurso, mas mostra todo um percurso que comprova que a Análise do Discurso pode ser usada (e está sendo) como ferramenta de desconstrução e destruição.

Não é atoa que quando estudamos a Análise do Discurso, vários dos teóricos tomam como base fundamentos de Karl Marx, Louis Althusser, Michel Foucault, Jacques Derrida e diversos outros “intelectuais”, principalmente marxistas da Escola de Frankfurt com a Teoria Crítica e a Dialética Desconstrucionista.

A palestra sobre Ideologia de Gênero do Padre José Eduardo não só serve como fundamento para entender processos da Análise do Discurso, como serve PRINCIPALMENTE como um alerta para o que está sendo feito no campo da educação e cultura, escondendo (maquiando) conceitos, envelopando intenções e enganando as pessoas. Ou seja, a Análise do Discurso está sendo utilizada não para trazer luz, mas sim para tirar a luz e o REAL entendimento das “coisas” relativizando além da conta os discursos (vale lembrar que hoje praticamente tudo foi transformado em discurso, principalmente no campo da política).




Obs: Talvez, para alguns, não fique tão clara a atuação da Análise do Discurso neste processo. Nos próximos dias irei escrever de forma mais direta e objetiva sobre isso. O objetivo deste post é mostrar o CAMINHO e os FUNDAMENTOS e para tal associação é só ver “intelectuais” citados no texto.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Por que Proibir Propagandas Comerciais?


Nas últimas décadas, no Brasil, principalmente do início do século XXI para cá, depois que o PT assumiu o poder federal, a perseguição ao mercado publicitário vem aumentando ano após ano. E isso vem também através das faculdades de comunicação com a desculpa desvairada de “responsabilidade e consciência social”, como se fosse obrigação dos meios de comunicação educar a população. Mas, parece que venceram... De fato, não é de hoje que os meios de comunicação vêm sendo utilizado por pessoas com objetivos “ocultos” como forma de engenharia social, tema que tratarei em diversos posts aqui no blog. Imprensa livre, incluindo as propagandas, implica em maior dificuldade em aplicar os métodos de engenharia social.

Só para deixar claro, não digo que “imprensa livre” ou “propaganda livre” é o mesmo de inserir o que desejar e quando bem desejar, mas essa regulação deve sim ter um limite e o mínimo possível de interferência estatal. Como, aliás, o mercado publicitário já faz muito bem e de forma muito eficiente com o CONAR.

É verdade que a propaganda pode ser uma ferramenta de engenharia social. É verdade que ela quando dominada por um único setor (ou poucos setores), sem concorrência e sem o contraditório, pode ser (e é) um perigo e se transforma em ferramenta de dominação (principalmente se dominada pelo governo). Este é exatamente o argumento dos que lutam com todas as forças contra as propagandas, que são a expressão máxima do capitalismo, das grandes empresas, de quem precisa vender seus produtos.

Numa “cultura anticapitalista” como a que o Brasil está imersa, em que os empresários são vistos como algozes, exploradores máximos dos trabalhadores, e não como instrumentos de desenvolvimento, o ataque ao mercado publicitário é tomado de forma positiva pelos indivíduos que, convictos de estarem fazendo o bem, aderem ao discurso de forma dócil e são facilmente manipulados. Ora, uma forma eficiente de quebrar o mercado é fazer com que as pessoas não consumam. Então, proibir as propagandas comerciais ataca o coração do capitalismo (estão acompanhando o porquê de atacarem tanto as propagandas?).

O fato de proibir as propagandas comerciais não faz extinguir o poder que as propagandas possuem, não desfaz a força que as propagandas têm na construção da cultura e na engenharia social. Proibir propagandas comerciais é só um ataque a um único agente, abrindo caminho para outro ainda mais perigoso que é o governo, ou seja, aquele que tem o poder de proibir. Proibir propagandas comerciais é deixar todo o espaço aberto para aqueles que em si, por definição, possuem poder sobre a população, principalmente numa democracia representativa em que o voto legitima quem está no poder.

Proibindo as propagandas comerciais, o campo publicitário ficará todo à mercê do governo que terá em mãos todos os instrumentos para se “retroalimentar”, realizar a sua engenharia social sem o contraditório e dominar aqueles que ele mesmo diz estar defendendo da dominação e manipulação dos grandes empresários (do capital). Em vez de existir uma “queda de braço” entre mercado e governo deixando que o indivíduo faça o juízo livremente, arranca-se um dos braços, fazendo com que o braço remanescente desça com toda força em cima da população que está embaixo observando e sustentando o governo.

No discurso dominante de hoje em dia em que o indivíduo vê no Estado a concentração de todo o bem, quase um Deus bondoso, a população “sustenta” o governo e este por sua vez protege a população. Em um mundo ideal a gente pode até achar isso bonito, mas no mundo real a gente vê que as consequências de um governo que controla o mercado e os meios de comunicação são assombrosas: Comunismo, Fascismo e Nazismo são apenas três dos diversos monstros que já aterrorizaram o mundo e, por incrível que possa parecer, esses três monstros foram alimentados e apoiados pela população inicialmente. População essa que ao notar a dominação não teve como reagir se não de forma dolorosa, ceifando muitas vidas, diga-se de passagem...


Por que Proibir (ou Restringir) Propagandas Comerciais?

Fora os já citados fatos de destruir o capitalismo e deixar o caminho livre para a força governamental, há ainda outros aspectos mais fortemente ligados à manutenção do poder fazendo uso de meios legítimos para destruir quem legitima.

Tomando como exemplo TV, Revista e Jornal (valendo também para os demais meios), o que sustenta os veículos de comunicação que sobrevivem desses meios é exatamente a propaganda. O que viabiliza os programas de televisão e de informação de massa é exatamente a verba proveniente da venda de espaços publicitários. Se os espaços são livres, além da própria concorrência interna do mercado, há a possibilidade de contrapontos do governo que tem a legitimidade, inclusive se combater os abusos dos primeiros (e vice-versa).

Se você proíbe um lado, no caso as propagandas comerciais, quem vai viabilizar a imprensa, os meios de comunicação? O governo com as propagandas governamentais e de empresas estatais. E quem vai fazer o contraponto? O próprio governo? A população não pode ser, pois ela é o alvo, para quem a informação deve chegar... A própria mídia também não pode ser, pois ela é o instrumento a ser utilizado e caso “morda a mão do único que a alimenta”, esse único deixa-a “morrer de fome” e “sacrifica” logo de uma vez.

“Interessante” que hoje muitos estão reclamando que a mídia está atacando demais o governo e que isso não é papel da imprensa (que “carinhosamente” chamam de PIG) e são incansáveis as “ameaças” de regulação da mídia com o “título bonitinho” de “Democratização dos Meios de Comunicação”.


Resumo Prático da Proibição das Propagandas Comerciais

Sem as verbas das propagandas comerciais os veículos de acesso gratuito (TV aberta, Rádio e até certo ponto a Internet), que por sinal é por onde a grande maioria tem acesso às informações, só poderão sobreviver alimentadas pelas verbas do governo, tornando-se reféns de quem está no poder. Com esse poder exclusivo, o governo poderá ditar o que pode e o que não pode ir a público, penalizando quem não cumprir a “cartilha”. Punição essa que pode ser escancarada e escandalosa, fechando o veículo, ou de forma pior: deixando o veículo “morrer de fome” não inserindo as propagandas governamentais e de estatais, tentando disfarçar para a população que o veículo morreu de forma natural. Isso quando a população não for induzida a apoiar o fechamento de veículos como hoje em dia acontece sistematicamente com a Veja e a Globo, principais alvos dos que querem a “democratização da mídia”.

Exemplo concreto desse poder?

No início deste ano de 2014 o governo ameaçou cortar a verba do SBT caso a Rachel Sheherazade não sofresse sanções por causa de suas declarações. Na mesma emissora, Paulo Martins chegou a perder o espaço, mas voltou ao ar devido a pressão dos espectadores, coisa que não ocorreria se a única fonte de renda da emissora fosse o governo. O ponto de convergência dos dois jornalistas, além de serem da mesma emissora, é que ambos são críticos do atual governo federal. Falei um pouco sobre isso quando tratei sobre "O Caminho do Controle da Mídia e Censura no Brasil".

Outro exemplo está nas restrições a propagandas de cigarros, bebidas alcóolicas e propagandas destinadas ao público infantil. Sobre este eu falarei em outro post, pois o assunto é mais complexo, além de ter uma ideologia por trás disso tudo (assim como existe uma ideologia por trás desses ataques às propagandas comerciais de forma geral).





quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Guerrilha Urbana Eleitoral


Em todas as eleições sempre há a presença de “ações não convencionais”, digamos que “não oficiais”, que têm o objetivo de minar a força do adversário político através da informalidade. Neste ano de 2014, embora não seja novidade no cenário das eleições no Brasil, as ações de Guerrilha Urbana Eleitoral estão bastante fortes, pois o combate oficial está bastante acirrado (equilibrado) e ambos os lados estão querendo ganhar a qualquer custo.

Uso o termo “guerrilha urbana eleitoral” para manter a mesma analogia com estratégias militares que foram feitas no post “Eleição é Guerra”.

Guerrilha é segundo o Dicionário Aurélio:

“Luta armada realizada por meio de pequenos grupos constituídos irregularmente, sem obediência às normas estabelecidas nas convenções internacionais, e que, com extrema mobilidade e grande capacidade de atacar de surpresa, visa ao crescimento progressivo das próprias forças mediante a incorporação de novos combatentes e abertura de novas frentes guerrilheiras até que se possam travar com êxito combates diretos contra as tropas regulares inimigas”.

Guerrilha Urbana é tudo isso adaptado para vias urbanas e, obviamente, Guerrilha Urbana Eleitoral são todas as técnicas adaptadas para o processo eleitoral.

Vale ressaltar que a Guerrilha Urbana Eleitoral é completamente diferente do que nós, profissionais ligados a área de marketing, entendemos como “Marketing de Guerrilha” e muito diferente também do que conhecemos como “Marketing de Emboscada”. O primeiro é bastante conhecido e cada vez mais comum, principalmente nesta era do “Marketing Promocional”. O segundo já não é muito bem visto e, só para dar um exemplo, é o que ocorre bastante durante a Copa do Mundo e que a Fifa tenta impedir.

Cito abaixo dois exemplos um de Marketing de Guerrilha e um de Marketing de Emboscada dentro do processo eleitoral.

MARKETING DE GUERRILHA ELEITORAL (exemplo)

Fazer uma intervenção no centro da cidade colocando pessoas assobiando ou cantando o jingle do candidato. Pessoas que aparentemente não teriam ligação alguma, espalhadas, como se tivessem simplesmente de passagem. Poderia colocar também uma quantidade significativa de pessoas aparentemente sem relação alguma usando camisas diferentes com foto e número do candidato.

Isso passaria a sensação que as pessoas estão aderindo ao discurso do candidato e chamaria a atenção para o público atingido prestar mais atenção ao discurso do candidato através dos debates, das propagandas e dos programas eleitorais.

MARKETING DE EMBOSCADA ELEITORAL (exemplo)

Próximo a (ou até mesmo dentro de) um comício, carreata ou passeata do adversário, colocar pessoas para agirem de forma discreta com material de campanha do candidato. A ação precisa parecer “natural” e não uma intervenção de fato.

Claro que esse tipo de ação, em termos eleitorais, é bastante arriscado para a sua integridade física, pois trata-se de uma provocação. Num cenário eleitoral, principalmente muito disputado e com os ânimos bem acirrados, isso poderá (e provavelmente vai) gerar resposta violenta em cima das pessoas que estiverem armando a emboscada.

NOTE!

Note que tanto o Marketing de Guerrilha Eleitoral quanto o Marketing de Emboscada Eleitoral não fazem uso da intimidação, da depredação, da INTERVENÇÃO DIRETA NO MATERIAL OU MILITÂNCIA do adversário. Poderíamos dizer até que são “intervenções limpas”, talvez subliminares, mas intervenções limpas.

GUERRILHA URBANA ELEITORAL

A guerrilha, por definição, lida com o uso da força (física e psicológica) para TENTAR IMPOR ao próximo a adesão da sua causa. A guerrilha acaba entrando na esfera da exigência, da intimidação, da revolta e do medo. Faz uso de meios fora do campo do diálogo, do racional. O uso da verdade, inclusive, não é necessário, pois a importância maior é que atendam as suas expectativas a qualquer custo. Fazem uso sistemático de “meios de pressão”. Não atoa, UMA DAS ARMAS DA GUERRILHA É EXATAMENTE O TERROR.

“Se você não faz o que eu quero, vou exigir por meio da força até que você abrace a minha causa.”

Pode-se fazer, tomada as devidas proporções, paralelos com os movimentos radicais do mundo (alguns até com certo caráter social): FARC, ERP, Al Qaeda, Estado Islâmico, os separatistas na Ucrânia, os paramilitares chavistas da Venezuela, o MST, o MTST, o Black Blocs, etc...

São inúmeras as armas da Guerrilha Urbana Eleitoral, assim como qualquer guerrilha. Vale qualquer coisa que possa pressionar o seu alvo para fazer o que você quer. Neste cenário, resolvi listar apenas alguns exemplos que estou vendo nesse segundo turno das eleições de 2014.

01) Uso de cartazes e panfletos “amadores”

Sabe aquele tipo de cartaz, em papel ofício impresso em casa? É mais ou menos isso. Só que o conteúdo do material está voltado para espalhar boatos, mentiras, algumas meias verdades, mensagens de intimidação... Pouco importa a veracidade do que é veiculado, pois o objetivo é gerar uma resposta “negativa” em relação ao adversário político, é confundir o eleitor, pô-lo em dúvida, é “queimar” a imagem do adversário ou fazer o eleitor ter receio de manifestar sua opinião seja por vergonha ou por medo.

Esse tipo de material é colocado ou distribuído, normalmente, em pontos de ônibus, postes, universidades, portas de escolas, praças de grande circulação e não há uma identificação clara se o material distribuído é atestado pela equipe do candidato ou não. Ou seja, o emissor normalmente é um anônimo, mas trabalha em favor do candidato.

02) Retirada ou depredação do material de campanha

Recolher material de campanha do adversário político durante as campanhas eleitorais, infelizmente, é muito mais comum do que se pensa. O mesmo vale para a depredação.

Esse tipo de ação tem como objetivo (e consequência) a diminuição ou até mesmo a extinção da visibilidade do adversário nas campanhas de rua. Quando ocorre a depredação, tem-se ainda a sensação de “rejeição”, ou seja, pior do que a ocultação.

No segundo turno, quando se há apenas duas opções para escolher, há ainda a sobreposição de material de campanha (colar adesivo em cima do material de campanha do adversário, por exemplo). Essa atitude pode gerar um efeito contrário de rejeição devido a falta de respeito, mas essa rejeição acaba sendo muito pequena em relação ao dano causa.

03) Intimidação de eleitores do adversário

Essa talvez seja a mais grave de todas as “armas” da Guerrilha Urbana Eleitoral. Ameaçar, intimidar, xingar, agredir fisicamente (sim, isso ocorre e já aconteceu este ano com mais de uma pessoa conhecida minha em Salvador-BA e em 2012 parente meu foi intimidado quando saía de casa para votar e amigo meu sofreu agressão física próximo ao local de votação), depredar propriedade do eleitor (riscar carro, encher o carro de adesivos, quebrar vidro do carro, pichar muro, etc...), tomar material de campanha a força (mandar tirar camisa, rasgar roupa, etc...)... Enfim... Toda forma de intimidação possível e inimaginável.

Essas ações têm como objetivo deixar o eleitor do adversário com medo, apreensivo até sair para votar se este não estiver convicto do seu voto. O eleitor do adversário terá medo de manifestar seu apoio com medo de alguma retaliação, alguma perda de bem ou até agressão física. Essas ações são mais fortes nos dias de votação ou poucos dias antes. Inclusive, o uso de boatos de agressão, de assaltos, brigas de militantes, etc..., não são raros nas redes sociais. Mas, pior é quando isso não é um boato, mas sim um fato.

TERRORISMO ELEITORAL

Nestas eleições de 2014 tem-se falado bastante do “Terrorismo Eleitoral” que um partido político está realizando. Como disse anteriormente, o “Terrorismo” é uma das inúmeras armas da Guerrilha. Antes, neste post, eu estava tratando mais da “Guerrilha Urbana Eleitoral”, ou seja, procurei dar ênfase - não exclusividade - nas ações físicas de rua. Todas as ações descritas anteriormente podem ter pontos que se enquadram no “Terrorismo Eleitoral”, principalmente a última citada.

A definição de “Terrorismo”, tirada da Wikipédia, é a seguinte:

“Terrorismo é o uso de violência, física ou psicológica, através de ataques localizados a elementos ou instalações de um governo ou da população governada, de modo a incutir medo, terror, e assim obter efeitos psicológicos que ultrapassem largamente o círculo das vítimas, incluindo, antes, o resto da população do território. É utilizado por uma grande gama de instituições como forma de alcançar seus objetivos, como organizações políticas de esquerda e direita, grupos separatistas e até por governos no poder.”

Obviamente, anexando o termo “Eleitoral” as ações são adaptadas para esta finalidade.

A arma “Terrorismo” é utilizada para alcançar o objetivo através da PRESSÃO usando o artifício do medo que é um dos sentimentos mais primitivos do ser humano, que o faz, inclusive, perder a razão. A emoção toma conta e “bloqueia” as ações que possam trazer alguma mudança, visto que a “não ação” é exatamente a continuidade. A pessoa com medo tende a ficar estática.

Eleitoralmente falando, incutindo o medo a pessoa tende a manter a atual situação, mesmo que ela deseje alguma mudança. É exatamente por isso que o PT está atacando através do “medo”, pois o sentimento de mudança da população é bastante forte e o principal mote de campanha de Aécio Neves é “Mudança”. Foi por isso também que em 2002 o PSDB usou o mote “medo” em cima do Lula, embora não tenha sido com tanta veemência e sujeira como está sendo feito este ano.

São inúmeras as formas de disseminar o medo (além das já citadas). Particularmente neste ano de 2014 o medo está sendo disseminado através das propagandas políticas (inclusive começaram bem cedo, antes das campanhas eleitorais), através do celular usando as mensagens de texto SMS e o aplicativo WhatsApp, através de boatos espalhados nas redes sociais, através de telefonemas, através de discursos em comícios e através de militantes usando o “boca-a-boca”.

O ser humano em si tem aversão à perda, tem medo de perder. É inegável que nesses doze anos de governo do PT muitos que não tinham nada, hoje em dia têm alguma coisa (a “validade” dos métodos não vem ao caso agora) e perder para voltar à miséria é de gerar pânico nestas pessoas. Reparem que não estou falando de ataques à honra e à moral do adversário, estou falando de ataques ao psicológico do cidadão, ou seja, à transformação de quem precisa e tem alguma dependência em ESCRAVO. É fazer uso da necessidade alheia para escravização e é exatamente por isso que não dão uma “porta de saída”, um meio da pessoa poder sair de tal situação... É colocar na pessoa grilhões com uma bola de chumbo pesadíssima que a impeça de realizar qualquer movimento de forma independente.

O terrorismo faz uso de pessoas que nada tem a ver com a situação para atingir os inimigos, o terrorismo eleitoral faz uso de pessoas inocentes e com certo grau de dependência (física e/ou psicológica) e ingenuidade para atingir o adversário político. Em ambos os casos, a pressão através do medo bloqueando o poder de ação.

Agora, cabe uma observação... Disse anteriormente que o medo bloqueia a ação, mas ele pode também chamar a pessoa a agir contra o alvo e não contra quem de fato está fazendo o uso do terror. É uma completa inversão dos sentidos.