terça-feira, 29 de julho de 2014

Campanhas Eleitorais na TV: O Show Vai começar


No dia 19 de agosto começarão as campanhas eleitorais em rádio em televisão e, como muitos sabem, vai começar o espetáculo de entregas de conteúdo que o público deseja ter e/ou ouvir.

O Marketing Político é importantíssimo, afinal sem ele dificilmente (praticamente impossível) alguém que realmente queira mudar alguma coisa conseguirá chegar ao poder e promover as mudanças necessárias. Portanto, o problema não é o Marketing Político (ou, se preferir, o Marketing Eleitoral) em si, mas como fazem uso dele.

Desde que o poder foi devolvido aos civis (na verdade até antes disso) as campanhas eleitorais estão ficando cada vez mais cinematográficas e o uso das mídias de massa têm decidido as campanhas, principalmente as presidenciais. O candidato passa a ser um produto que deve ser vendido e para obter os votos (sucesso de vendas) é preciso SEDUZIR, PERSUADIR O ELEITOR.

Em Campanhas Eleitorais, que transforma o candidato em produto, valem as mesmas premissas de Campanhas Publicitárias de empresas. Da mesma forma, no Marketing Político valem as mesmas “normas” do Marketing de empresas. Logo, é preciso tratar as Campanhas Eleitorais como são tratadas as Campanhas Publicitárias, tanto quem elabora tais campanhas, quanto, e principalmente, quem as recebe em seus veículos preferidos.

Vale fazer um acréscimo sobre “propaganda enganosa” que é tão combatida e gera revolta no consumidor. Uma empresa precisa entregar o que o consumidor deseja, precisa satisfazer as necessidades do público, para isso faz pesquisas e molda os produtos de acordo com os desejos e necessidades do público. Para vender esse produto, faz uso de ferramentas do marketing (tendo como uma das principais a PROPAGANDA) e quando a promessa não condiz com a entrega o consumidor se sente lesado e recorre a meios cabíveis.

Nas Campanhas Eleitorais o princípio, “a princípio”, deveria valer. As pesquisas para entregar o que o eleitor deseja ocorrem e é interessante que seja assim, é importante saber o que a população deseja e precisa e moldar o produto (candidato) a tais anseios da população. O problema é que o uso mais comum desta ferramenta no Marketing Político visa apenas ganhar a confiança da população e se manter no poder através de mentiras, sendo que o eleitor muitas vezes não tem como recorrer.

Imagine que uma propaganda diz que o consumidor deseja todas as funções possíveis e imagináveis em um celular. A empresa que produz celular diz que seu produto tem tudo isso e realiza a venda. Após adquirir o produto, o consumidor nota que seu aparelho “apenas fala e manda mensagem” e recorre. A empresa responde que as funções estão ali e através de outra propaganda mostra que estão ali mesmo e isso vale como prova irrefutável de que as funções existem em tal aparelho e diz que o consumidor que não percebe, não sabe usar o aparelho devidamente.

Essa estória que acabei de contar é o que mais acontece com grande parte os políticos do Brasil na atualidade, com o diferencial que a população tem poucos recursos para recorrer.

Para ilustrar um pouco como se dá as Campanhas Eleitorais na TV, sugiro dar uma lida nesse artigo elaborado pelo estudante Lucas Corazzini. Possivelmente trata-se de um trabalho de faculdade e tem uma linguagem bastante simples e de fácil entendimento para pessoas que não são da área. O documento se chama “Análise Semiótica da Propaganda Eleitoral” e pode ser lido ou baixado neste link.

Gostaria de ressaltar duas citações que o autor fez no seu trabalho e que mostram muito bem como são as Campanhas Eleitorais na TV (e em outros meios):

1) "De forma neutra, propaganda é definida como forma propositada e sistemática de persuasão que visa influenciar com fins ideológicos, políticos ou comerciais, as emoções, atitudes, opiniões e ações do públicos-alvo através da transmissão controlada de informação parcial (que pode ou não ser factual) através de canais diretos e de mídia." - Richard Alan Nelson, A Chronology and Glossary of Propaganda in the United States, 1996.

2) “Segundo Umberto Eco, a comunicação eficiente fundamenta-se na proposta de arquétipos de gosto que preenche as mais previsíveis expectativas. Entretanto, para não se tornar repetitiva e exaustiva, a publicidade baseia-se no pressuposto de atrair a atenção do espectador, quanto mais violar as normas comunicacionais conhecidas, realizando apelos através de soluções originais.” - Thomas Hohl, Recursos visuais e 4 idéias de uma campanha eleitoral, 2000.

Este artigo ainda traz um pouco de teoria da Publicidade e Propaganda e vale a pena ler em caráter introdutório.

Hollywood Eleitoral

As campanhas eleitorais, então, tornaram-se palco de vendas. O “Estadão” colocou em seu canal no YouTube uma entrevista com o publicitário Eduardo Fischer que fez uma análise da evolução das campanhas eleitorais na TV desde as primeiras eleições diretas para presidente após o Regime Militar, em 1989. Vale a pena assistir este vídeo com pouco mais de 7 minutos.




Para finalizar, gostaria de deixar bastante claro que não sou contra o Marketing Eleitoral assim como não sou contra o Marketing. Muito pelo contrário, sou completamente a favor do uso de ferramentas de Marketing para vender produtos (candidatos) e deixar tudo cada vez mais claro para o consumidor (eleitor) que deverá receber o que deseja. O problema não está no Marketing, mas sim nos vetos, na não liberdade, na censura, na não disputa, no deixar apenas o mais forte fazer o que bem entende, mentindo para o consumidor e não deixando meios para que ele recorra a outras alternativas.








sábado, 26 de julho de 2014

A Desinformação na Internet (e em outros meios de comunicação)


Estamos vivendo em uma época em que a tecnologia nos ajuda muito a driblar os bloqueios e manipulações de informações, mas para que a tecnologia seja eficiente é preciso que as pessoas tenham em mente que a internet não é mais um meio idôneo, que A INTERNET JÁ SE TRANSFORMOU EM MEIO DE MASSA. Não massa no sentido que conhecemos (direção única), mas uma relação de massa muito mais perigosa e eficiente, uma mídia de massa interativa (direção dupla, muito mais complexa).

Infelizmente esse fato ainda causa muita resistência, principalmente dos setores ligados ao Marketing na Internet que ainda estão entusiasmado com as formas de controle e mensuração, com as informações cada vez mais precisas que se consegue coletar do público e fazer uma entrega cada vez mais direcionada.

A tecnologia expandiu muito, alcança cada vez níveis mais elevados, mas com ela as pesquisas e as formas de lidar com a tecnologia vão sendo apuradas também.

Bom, por que fiz essa breve introdução? Porque hoje é possível notar um nível de manipulação e desinformação na internet altíssimo. A facilidade e, principalmente, a quantidade de informação disponível para as pessoas gera uma saturação nos indivíduos que passam a filtrar os resultados e a ter menos atenção (e dedicação na apuração) nas notícias e informações veiculadas.

As Mídias Sociais (que incluem blogs) fazem as pessoas se sentirem mais próximas, mais íntimas, e o nível de confiança se eleva, muitas vezes (diria até que a maioria das vezes) maior do que o nível de confiança em relação a quem está bem próximo de você fisicamente.

Hoje na internet é possível encontrar de tudo, todo tipo de imagem, todo tipo de vídeo, todo tipo de texto (em diversas línguas) o que torna IMPOSSÍVEL a pessoa estar a par de tudo o que está acontecendo, o que gera uma “necessidade” de confiar em pessoas que talvez estejam mais a par de certos temas. Antigamente, também era impossível você ter acesso a um elevado número de informações, mas você tinha menos conhecimento em relação a existência de diversos temas. Hoje o que está acontecendo é que as pessoas estão tendo conhecimento geral sobre quase tudo e conhecimento aprofundado sobre quase nada.

Se você ver circulando informações sobre um determinado assunto que não tem conhecimento tão aprofundado, normalmente você não busca se aprofundar e checar tais informações, recorre a alguém de sua confiança e que possa ter um conhecimento mais amplo sobre o assunto.

No geral, isso não é mau quando a gente precisa de informações gerais e de pouco impacto social. O problema é que informações de alto impacto social estão sendo colocadas no mesmo pacote de informações acadêmicas/profissionais/científicas. O que chamo de “informações de alto impacto social” são informações que gerem alguma resposta em níveis sociais como, por exemplo, aquela pesquisazinha infame do IPEA que colocou o povo brasileiro como “estuprador”. Podemos chamar também de “informações de alto impacto social”, informações ligadas ao “politicamente correto”, à processos eleitorais, à relações exteriores, manifestações, etc...

E porque me preocupa o fato de colocarem essas informações de alto impacto no mesmo pacote das demais informações? Pelo fato de serem informações que despertam ações através de sentimentos, de emoções. Quando a gente ver uma atitude racista, como ocorreu com o Daniel Alves e que gerou a campanha “#SomosTodosMacacos”, nosso sangue ferve e queremos passar adiante para o combate a essa atrocidade. Enfim, somos reativos através das emoções.

E onde é que entra a desinformação nessa história toda?

Desinformação na Internet (e em outros meios de comunicação)

Primeiramente é importante deixar claro que desinformação é algo DIFICÍLIMO de fazer e que tem diferença para o informações falsas e mentirosas (muitas vezes o termo “desinformação” é utilizado para se referir a tais informações, inclusive o título desse post diz respeito mais a isso do que a Desinformação propriamente dita), difere também das notícias manipuladas e da ocultação de informações, embora a desinformação propriamente dita faça uso de todos esses tipos de informações citados. Diria que 90% do que a gente ver por aí e chama de desinformação é na verdade informações falsas ou manipuladas que viralizaram.

Então, deixando esses pontos claros, daqui para frente, usarei o termo “desinformação” para designar tudo isso que falei, ou seja, tanto a desinformação propriamente dita quanto os demais usos.

“Desinformação é você manipular uma informação, modificar a informação (ou até mesmo escondê-la) para criar um efeito no público, quando aplicado à massa, usa-se o termo desinformação, quando aplicado pontualmente é chamado de intoxicação.” (Fonte: vídeo no final do post).

Associando o que foi dito na citação acima aos fatos que hoje estamos cada vez mais saturados de informações que chegam até nós, ao fato de termos cada vez menos tempo para nos aprofundarmos em determinados assuntos e ao fato de depositarmos cada vez mais confiança em nossos “amigos virtuais”, explica-se o porquê de hoje em dia estar tão fácil praticar a desinformação na internet, inclusive “trollando” veículos oficiais da grande mídia, como fez recentemente o blog Não Salvo criando o viral de que a Coréia do Norte ter passado para o seu povo que foi campeã da Copa do Mundo em cima do Brasil.

Este fato do Não Salvo foi uma brincadeira e as consequências não foram muito grande, mas e uma manipulação de informação como fizeram a Rachel Sheherazade quando ela falou que era compreensível o povo se revoltar contra um marginal? Esse caso da Rachel ilustra bem como o “coquetel” manipulação de notícia com uso de fortes emoções pode gerar uma revolta generalizada.

E o que dizer do que está rodando a internet em relação ao conflito “Israel x Hamas”? Este último sim tem muita DESINFORMAÇÃO PROPRIAMENTE DITA com direito a uso de “manipulação de informações”, “informações mentirosas”, “ocultação de informações” e uso da emoção alheia. E o caso da derrubada do avião na Ucrânia? Esse também tentaram...

Gosto muito de uma comparação que o vídeo abaixo faz, não transcrito exatamente como está no vídeo:

“Para demolir um prédio, você não precisa explodir o prédio inteiro, basta você explodir algumas colunas que o sustentam e a gravidade faz o resto. Na desinformação ocorre algo parecido, você manipula a informação, cria um fato ou esconde alguma coisa (ou cria uma história com pontos de verdades e acrescenta inverdades - os pontos de verdade acabam legitimando as inverdades), coloca em pontos chaves (veículos, blogs, REDES SOCIAIS,) e deixa que as pessoas disseminem a informação.”

Isso lembra muito o uso de blogueiros (que acabam sendo referência para muitos), uso de colunistas na grande mídia, uso de jornalistas militantes, correto? Como driblar isso? Infelizmente não há outro método se não o de pesquisar, ponderar as informações, procurar contrapontos e quando não encontrar você mesmo fazê-los, não confiar cegamente em nenhum veículo, e ter em mente que a pessoa que você mais confia pode ter sido intoxicada e estar repassando informações sem querer, na melhor das intenções. Inclusive, não é raro você mesmo ser intoxicado e ser pego por essa rede que é gigantesca (eu mesmo já passei a vergonha de ser pego inúmeras vezes e tenho certeza que você também). Poderia resumir tudo isso em “busca sincera pela verdade e reconhecer quando errar, absorvendo a vergonha de ter falado besteira se retratando”.

Vale ressaltar que em campanhas eleitorais e propagandas políticas o uso da desinformação é bastante comum (infelizmente). Vale ressaltar também que SEMPRE a retratação tem menos impacto do que a viralização da informação errada (no caso do IPEA, a retratação não teve tanto impacto quanto a primeira notícia errada). E nem vou entrar no detalhe que muitas vezes isso é feito para ser dessa forma: você declara um escândalo falso, a informação se espalha de forma muito rápida e depois se retrata com a certeza que o impacto da retratação será inferior.

Para mostrar o quanto o impacto da desinformação, fazendo uso do emocional das pessoas, é difícil de reverter, que tal relembrarmos o caso Marco Feliciano e a chamada “Cura Gay”? Uma pessoa foi demonizada e um tema foi demonizado. Se você analisar friamente, tentando deixar a indignação causada por causa do preconceito atribuído ao tema, verás que muita coisa é inverdade, a começar pelo fato de o projeto que chamaram de “Cura Gay” não ser de autoria do Marco Feliciano e o projeto não falar de "Cura Gay", mas naquele momento tinha uma militância organizada e empenhada em retirá-lo da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

E o massacre que está acontecendo na Venezuela? Poucos tomaram conhecimento devido à OCULTAÇÃO. Tanto que até hoje muita gente não sabe que tem morrido gente na Venezuela por causa de manifestações contra Maduro, tem gente na miséria (passando fome) por causa de medidas tomadas pelo presidente e tem empresários quebrando devido a sanções que o governo de lá tem aplicado por acreditarem que há uma tentativa de golpe.

E o Foro de São Paulo, que é um evento que acontece periodicamente na América Latina e que trata de temas para manter os partidos de esquerda no poder (e os países que ainda não chegaram, como chegar), isso custe o que custar, mesmo que através de fraude? O Foro de São Paulo ficou escondido (e sendo negado pela esquerda) por mais de uma década, vindo realmente à tona na grande mídia no ano passado.

O uso de imagens de outros eventos para ilustrar eventos atuais e causar indignação também é muito comum, afinal, a internet tem um VASTO material e é impossível ter acesso a tudo. Só é você buscar uma imagem bastante antiga e de outro país para ilustrar. Isso aconteceu, inclusive, com o caso Venezuela em que várias imagens de outros anos foram utilizadas para provar o que está acontecendo (isso mostra que a desinformação ocorre de ambos os lados). Inclusive, isso é uma forma de deslegitimar outras fontes de informação... Solta-se um viral e depois desmascara ele para “provar” que as informações estão sendo manipuladas.

Poderia citar aqui INÚMEROS exemplos... É um terreno bastante sombrio e todos estamos vulneráveis, mas o mais importante é termos uma sincera busca pela verdade e não trabalhar cegamente em favor de uma causa/ideologia.

Certamente voltarei a esse tema mais adiante. Para finalizar deixo essa EXCELENTE palestra ministrada por Lourival Filho, diretor cultural do "Instituto Liberal do Nordeste" e diretor presidente do "Expresso Liberdade" cujo título foi “Desafios da Vida Política e Intelectual Brasileira” e que fala muito da desinformação (uma das causas de a vida política e intelectual passar por tantos desafios). Recomendo FORTEMENTE assistir e, como boa parte dos visitantes desse blog são da área de Comunicação e Marketing, tentar fazer relações à sua área específica.







terça-feira, 22 de julho de 2014

Teorias da Comunicação e a Escola de Frankfurt

Teorias da Comunicação e a Escola de Frankfurt

A Escola de Frankfurt gerou muitos frutos no campo das ideologias (não necessariamente frutos positivos) e das Teorias da Comunicação. Para entendimento do que se trata toda a teoria (filosofia) gerada a partir da Escola de Frankfurt, é importante ter em mente alguns princípios. O principal deles é que a Escola de Frankfurt tem um direcionamento anticapitalista e anti-civilização ocidental, tentando entender como esses fatores funcionam e influenciam o mundo para então "desconstruí-los".

No início do século XX o socialismo era visto por muitos (aliás, ainda hoje é) como a solução para diversos problemas sociais que acreditavam ser gerados pelo capitalismo, mas as coisas não ocorreram como previam alguns “pensadores” da época: Os trabalhadores do Ocidente não se rebelaram com seus patrões, talvez porque gostavam do estilo de vida, para fazer a revolução, que naquela época acreditava-se que tivesse dado certo na União Soviética. Ficou então a pergunta sobre o porquê das tentativas de revolução no ocidente terem dado errado.

A resposta foi encontrada nos pilares que diferenciavam a civilização ocidental da civilização oriental: O esquema de pensamento, a forma de pensar. Esse esquema de pensamento da civilização ocidental tem como pilares o DIREITO ROMANO, FILOSOFIA GREGA e a MORAL JUDAICO-CRISTÃ. Por isso que nota-se uma crítica sistemática em relação a esses três pilares, principalmente aos dois últimos citados.

A forma de “atacar” esses fatores, como pode-se ver facilmente, é um processo de desconstrução cultural, um esvaziamento da cultura, talvez para colocar outra no lugar. Entende-se, então, o porquê de se falar tanto de “desconstrução” em tudo hoje em dia. Obviamente a base (a fundação) do pensamento desconstrucionista não começou na Escola de Frankfurt, mas com outros pensadores, principalmente do período Iluminista.

Para se aprofundar um pouco mais sobre esse processo de desconstrução da civilização ocidental, recomendo assuntos associados ao que chamam de “Marxismo Cultural” e muitos textos do Antônio Gramsci, este último para entender a forma como está sendo implantada essa “Revolução Cultural.

Recomendo, como caráter introdutório, para os interessados em entender esses pontos:
- Marxismo Cultural e Revolução Cultural: lista de 7 vídeos
- Origem do marxismo cultural: lista com 9 vídeos curtos
- Marx e Gramsci: Aula sobre Marx e Gramsci ministrada pelo professor Marcus Boeira
- Neocomunismo no Brasil - Como está sendo implantado: Slides explicando um pouco da “estratégia” de Antônio Gramsci
- A Escola de Frankfurt e o Marxismo Cultural: Vídeo sobre o quê pretende a Escola de Frankfurt, como estão “desconstruindo” a civilização ocidental (principalmente os EUA, foco deste vídeo, que é a nação mais forte do Ocidente – por isso que os socialistas adoram culpar os EUA de tudo), as bases do pensamento, Antônio Gramsci e Saul Alinsky.

Teorias da Comunicação e a Escola de Frankfurt

As indicações listadas anteriormente vai até um pouco além da Escola de Frankfurt e extrapola o tema “Teorias da Comunicação”, mas é importante ter em mente que muita coisa da Escola de Frankfurt, principalmente no que tange à Teorias da Comunicação e temas relacionados à “Sociedade de Massas”, foram (e ainda são) utilizadas.

Sem mais delongas, abaixo seguem três vídeos que totalizam pouco mais de 2h, que é de fato a razão deste post. Esses vídeos, segundo comentários nos Youtube, foram feitos a partir de aulas do professor Renato Márcio da UNIARA.

Pretendo desenvolver mais detalhadamente cada ponto mais a frente, nas tags relacionadas à Comunicação principalmente “Teorias da Comunicação”, “Comunicação de Massa”, “Cultura de Massa” e “Mídia de Massa”.












segunda-feira, 21 de julho de 2014

Eleição é Guerra

Eleição é Guerra

Estou usando o título “Eleição é Guerra” de forma “emprestada” de um livro do Carlos Augusto Manhanelli escrito no início da década de 90 em que ele trata de forma bem didática e simples o assunto Marketing Político. O autor de “Eleição é Guerra”, em 1992, logo no primeiro capítulo, recorreu ao livro “Da Guerra” de Carlos Von Clausewitz e fez associações diretas, trocando apenas alguns termos. Pretendo aqui fazer algumas associações que não necessariamente estão de acordo com o ponto de vista do Manhanelli.

Basta ser um pouco atento para entender que de fato as campanhas eleitorais se transformam numa completa guerra, principalmente no campo das informações. A própria Dilma Rousseff, em discurso no ano de 2013, afirmou que pode “fazer o diabo” em eleições. E de fato é assim... Planta-se notícias, faz-se uso de artilharia (propaganda) e da infantaria (militância) para derrotar o adversário, tenta prever as atitudes do adversário, protege-se em trincheiras, elabora ataques estratégicos de acordo com o seu posicionamento, faz-se alianças, usa-se o poder judiciário para ocupar tempo do adversário, faz uso da espionagem e infiltração para coletar informações, usa-se da intimidação, além de fazer uso de ferramentas (muitas vezes não muito limpas como atitudes similares ao terror) para encurralar o oponente. O lema “sempre alerta” também é extremamente necessário, visto que não se pode derrapar e os ataques podem vir de onde menos se espera. É preciso maior atenção em suas vulnerabilidades (pontos fracos) e um ataque equivocado pode custar muito caro, dando inclusive mais força ao adversário.

O trabalho estratégico (baseado em planejamento e as informações que as pesquisas passam) para a elaboração tática é de fundamental importância, por isso é de extrema necessidade ter um “setor de inteligência” para acompanhar (espionar e se infiltrar?) todo o andamento da guerra eleitoral.

Como pode ser visto, campanhas eleitorais e guerra tem diversas associações diretas (diria até mais do que com o próprio Marketing). Como pretendo dissecar algumas ações daqui até o final das campanhas eleitorais, decidi fazer essa postagem mais geral. Muito do que falarei daqui pra frente vai estar diretamente ligado a este post.

Eleições vs Guerra

Para finalizar o post, retomo as alguns pontos que o Carlos Augusto Manhanelli apresentou no seu livro “Eleição é Guerra” como ditos no livro “Da Guerra” do autor Carlos Von Clausewitz. Apresento, junto com associações e pontos de vista meus e exemplos dos dias atuais.

01) “Cada um tenta, por meio de sua força física, submeter o outro a sua vontade; o seu objetivo é abater o adversário a fim de torna-lo incapaz de toda e qualquer resistência.”

Esta afirmação do Clausewitz pode ser associada diretamente a duas vertentes: A militância (talvez até o eleitor) e as alianças partidárias. Através da intimidação, usando o medo, tenta-se persuadir os outros mostrando que é mais forte e que é de extrema importância estar do seu lado, dando a entender que ele é mais forte e que se ganhar os que estiverem do lado do então oponente não vai ter as mesmas vantagens. Isso passeia também pelo campo dos ataques morais, colocando rótulos esdrúxulos nos militantes e eleitores do oponente, desqualificando as ações e argumentações previamente, além de intimidar os partidos de outras alianças com ataques sistemáticos.

Quer exemplos? As vaias a Dilma Rousseff nos estádios foram ridicularizadas apresentando como motivo o fato de serem de uma “elite branca” e, em outros locais, associavam essa “elite branca” à eleitores e militantes do PSDB. Jornalistas que por ventura possam apoiar o PSDB, são esculachados e acusados de estarem recebendo dinheiro para isso, além de receberem ataques no campo moral. Políticos de outros partidos que não estão diretamente ligados à partidos aliados são tratados como inimigos mortais e têm suas vidas pessoais vasculhadas. Partidos que não apoiarem sua candidatura sofrem retaliações enquanto os aliados recebem afagos. Esses são só alguns exemplos.

02) “[...] julgar que existe uma maneira artificial de desarmar e derrotar o adversário sem verter demasiado sangue [...] é um erro que é preciso eliminar. Num assunto tão perigoso quanto a guerra, os erros devido à bondade da alma humana são precisamente a pior das coisas.”

Mais claro impossível! Só é você reparar o nível dos ataques diretos que uns candidatos fazem com os outros, tentando detonar totalmente a reputação dos adversários. O erro de pensar que “se eu não me rebaixar ao nível dele” fez o PSDB perder as três últimas eleições pois enquanto o PT atacava os tucanos de forma sistemática e suja, o PSDB ficava com um “ar de superior” pensando que “não se rebaixar ao nível deles” iria conseguir alguma coisa. O mesmo vale para a militância.

03) “Para que o adversário se submeta à nossa vontade, é preciso coloca-lo numa situação mais desfavorável o que o sacrifício que lhe exigimos. Todavia, a desvantagem da sua situação não deve naturalmente ser transitória ou, pelo menos, aparentar sê-lo; caso contrário, o adversário esperaria um momento mais favorável e não cederia [...], é necessário desarmá-lo realmente ou coloca-lo em condições tais que ele se sinta ameaçado por esta probabilidade.”

Isso vale tanto para o candidato adversário quanto para militância (ou eleitores) adversários. Aqui entra o “Assassinato de Reputações” (título do livro do Romeu Tuma Júnior) tanto dos adversários políticos, quanto dos militantes e eleitores, entrando nesse saco também outros que estejam contra o candidato, mesmo que não necessariamente esteja apoiando o oponente.

Podemos tomar como exemplo o que tentaram fazer com o Marco Feliciano, o que tentam sistematicamente fazer com o Jair Bolsonaro, o que estão fazendo com a Rachel Sheherazade (que não declara apoio a ninguém, mas critica o atual governo), o que muitos tentaram fazer com a Denise Abreu quando era pré-candidata... Em termos partidários, aqui entra as sanções e bloqueios de verbas para partidos dos oponentes que estão em exercício do governo (ou prefeitura), destituição de cargos, demissão de estatais (como o caso da demissão do vice presidente da Caixa Econômica). Como intimidação do eleitor, trago aqui uma situação ABSURDA que ocorreu nas eleições para a prefeitura de Salvador em 2012. Militantes do PT faziam uma algazarra (inclusive com xingamentos diretos) diante de eleitores que, pelo menos aparentemente, iam votar no candidato do DEM. Digo isso pois EU MESMO (ninguém me contou, eu senti isso na pele) sofri isso quando saí para votar. O mesmo aconteceu com diversos conhecidos meus, inclusive parentes bem próximos.

04) “Cada uma das partes esforçar-se-á para prever a ação da outra, tirando suas conclusões do caráter, das instituições, da situação e das condições em que se encontra, e adaptará sua própria ação a essas condições...”

Aqui o campo é bem estratégico, então é difícil trazer exemplos concretos e irrefutáveis, visto que ninguém abre suas estratégias, correto? Mas é fato que deve-se estar atento aos movimentos do adversário, tentar descobrir as fragilidades deles (e cobrir as suas pois ele pode descobrir e te atacar nesse ponto), prever reações (e aí entra a decisão se deve ou não responder às provocações e, caso responda, de qual forma, pois a sua resposta pode estar prevista pelo adversário), através de pesquisas tentar prever se o oponente vai partir pro ataque ou vai ficar recuado, decidi se mantem a defensiva ou parte para o ataque, etc etc etc...

Como exemplo, posso trazer uma suposição. O PT sempre reagiu aos ataques sofridos, mas começou a ser mais agressivo quando os ataques começaram refletir nas pesquisas de intenção de voto. Quando a Dilma começou a cair (não necessariamente em números), o PT começou a ser mais agressivo nas respostas e ataques (o que me leva a crer que as pesquisas quase “estáticas” tem erro, pois a resposta do PT não condiz com a “estabilidade” da Dilma nas intenções de voto).

Enfim, esse texto servirá como base para diversos outros que irei fazer daqui até pelo menos as eleições do segundo turno.