domingo, 7 de dezembro de 2014

Por que Proibir Propagandas Comerciais?


Nas últimas décadas, no Brasil, principalmente do início do século XXI para cá, depois que o PT assumiu o poder federal, a perseguição ao mercado publicitário vem aumentando ano após ano. E isso vem também através das faculdades de comunicação com a desculpa desvairada de “responsabilidade e consciência social”, como se fosse obrigação dos meios de comunicação educar a população. Mas, parece que venceram... De fato, não é de hoje que os meios de comunicação vêm sendo utilizado por pessoas com objetivos “ocultos” como forma de engenharia social, tema que tratarei em diversos posts aqui no blog. Imprensa livre, incluindo as propagandas, implica em maior dificuldade em aplicar os métodos de engenharia social.

Só para deixar claro, não digo que “imprensa livre” ou “propaganda livre” é o mesmo de inserir o que desejar e quando bem desejar, mas essa regulação deve sim ter um limite e o mínimo possível de interferência estatal. Como, aliás, o mercado publicitário já faz muito bem e de forma muito eficiente com o CONAR.

É verdade que a propaganda pode ser uma ferramenta de engenharia social. É verdade que ela quando dominada por um único setor (ou poucos setores), sem concorrência e sem o contraditório, pode ser (e é) um perigo e se transforma em ferramenta de dominação (principalmente se dominada pelo governo). Este é exatamente o argumento dos que lutam com todas as forças contra as propagandas, que são a expressão máxima do capitalismo, das grandes empresas, de quem precisa vender seus produtos.

Numa “cultura anticapitalista” como a que o Brasil está imersa, em que os empresários são vistos como algozes, exploradores máximos dos trabalhadores, e não como instrumentos de desenvolvimento, o ataque ao mercado publicitário é tomado de forma positiva pelos indivíduos que, convictos de estarem fazendo o bem, aderem ao discurso de forma dócil e são facilmente manipulados. Ora, uma forma eficiente de quebrar o mercado é fazer com que as pessoas não consumam. Então, proibir as propagandas comerciais ataca o coração do capitalismo (estão acompanhando o porquê de atacarem tanto as propagandas?).

O fato de proibir as propagandas comerciais não faz extinguir o poder que as propagandas possuem, não desfaz a força que as propagandas têm na construção da cultura e na engenharia social. Proibir propagandas comerciais é só um ataque a um único agente, abrindo caminho para outro ainda mais perigoso que é o governo, ou seja, aquele que tem o poder de proibir. Proibir propagandas comerciais é deixar todo o espaço aberto para aqueles que em si, por definição, possuem poder sobre a população, principalmente numa democracia representativa em que o voto legitima quem está no poder.

Proibindo as propagandas comerciais, o campo publicitário ficará todo à mercê do governo que terá em mãos todos os instrumentos para se “retroalimentar”, realizar a sua engenharia social sem o contraditório e dominar aqueles que ele mesmo diz estar defendendo da dominação e manipulação dos grandes empresários (do capital). Em vez de existir uma “queda de braço” entre mercado e governo deixando que o indivíduo faça o juízo livremente, arranca-se um dos braços, fazendo com que o braço remanescente desça com toda força em cima da população que está embaixo observando e sustentando o governo.

No discurso dominante de hoje em dia em que o indivíduo vê no Estado a concentração de todo o bem, quase um Deus bondoso, a população “sustenta” o governo e este por sua vez protege a população. Em um mundo ideal a gente pode até achar isso bonito, mas no mundo real a gente vê que as consequências de um governo que controla o mercado e os meios de comunicação são assombrosas: Comunismo, Fascismo e Nazismo são apenas três dos diversos monstros que já aterrorizaram o mundo e, por incrível que possa parecer, esses três monstros foram alimentados e apoiados pela população inicialmente. População essa que ao notar a dominação não teve como reagir se não de forma dolorosa, ceifando muitas vidas, diga-se de passagem...


Por que Proibir (ou Restringir) Propagandas Comerciais?

Fora os já citados fatos de destruir o capitalismo e deixar o caminho livre para a força governamental, há ainda outros aspectos mais fortemente ligados à manutenção do poder fazendo uso de meios legítimos para destruir quem legitima.

Tomando como exemplo TV, Revista e Jornal (valendo também para os demais meios), o que sustenta os veículos de comunicação que sobrevivem desses meios é exatamente a propaganda. O que viabiliza os programas de televisão e de informação de massa é exatamente a verba proveniente da venda de espaços publicitários. Se os espaços são livres, além da própria concorrência interna do mercado, há a possibilidade de contrapontos do governo que tem a legitimidade, inclusive se combater os abusos dos primeiros (e vice-versa).

Se você proíbe um lado, no caso as propagandas comerciais, quem vai viabilizar a imprensa, os meios de comunicação? O governo com as propagandas governamentais e de empresas estatais. E quem vai fazer o contraponto? O próprio governo? A população não pode ser, pois ela é o alvo, para quem a informação deve chegar... A própria mídia também não pode ser, pois ela é o instrumento a ser utilizado e caso “morda a mão do único que a alimenta”, esse único deixa-a “morrer de fome” e “sacrifica” logo de uma vez.

“Interessante” que hoje muitos estão reclamando que a mídia está atacando demais o governo e que isso não é papel da imprensa (que “carinhosamente” chamam de PIG) e são incansáveis as “ameaças” de regulação da mídia com o “título bonitinho” de “Democratização dos Meios de Comunicação”.


Resumo Prático da Proibição das Propagandas Comerciais

Sem as verbas das propagandas comerciais os veículos de acesso gratuito (TV aberta, Rádio e até certo ponto a Internet), que por sinal é por onde a grande maioria tem acesso às informações, só poderão sobreviver alimentadas pelas verbas do governo, tornando-se reféns de quem está no poder. Com esse poder exclusivo, o governo poderá ditar o que pode e o que não pode ir a público, penalizando quem não cumprir a “cartilha”. Punição essa que pode ser escancarada e escandalosa, fechando o veículo, ou de forma pior: deixando o veículo “morrer de fome” não inserindo as propagandas governamentais e de estatais, tentando disfarçar para a população que o veículo morreu de forma natural. Isso quando a população não for induzida a apoiar o fechamento de veículos como hoje em dia acontece sistematicamente com a Veja e a Globo, principais alvos dos que querem a “democratização da mídia”.

Exemplo concreto desse poder?

No início deste ano de 2014 o governo ameaçou cortar a verba do SBT caso a Rachel Sheherazade não sofresse sanções por causa de suas declarações. Na mesma emissora, Paulo Martins chegou a perder o espaço, mas voltou ao ar devido a pressão dos espectadores, coisa que não ocorreria se a única fonte de renda da emissora fosse o governo. O ponto de convergência dos dois jornalistas, além de serem da mesma emissora, é que ambos são críticos do atual governo federal. Falei um pouco sobre isso quando tratei sobre "O Caminho do Controle da Mídia e Censura no Brasil".

Outro exemplo está nas restrições a propagandas de cigarros, bebidas alcóolicas e propagandas destinadas ao público infantil. Sobre este eu falarei em outro post, pois o assunto é mais complexo, além de ter uma ideologia por trás disso tudo (assim como existe uma ideologia por trás desses ataques às propagandas comerciais de forma geral).